domingo, 27 de janeiro de 2008

A infinita solidão de uma vela apagada.


Ou o escuro desespero de uma alma desperta.

É tão escuro que você às vezes se perde. É denso, muito denso. A angustia das coisas incompletas toma conta do peito, deixando espaço nenhum para o ar, e a garganta arranha como se houvesse engolido um pedaço do deserto. A coleção de livros na parede, caoticamente organizada, já não trás mais o interesse que deveria trazer, e você não sabe bem o que fazer com eles. Seus discos também não trazem mais nenhum conforto ou alegria.

Resolve conta-los. Se forem pares - você pensa - tudo ficará bem. Se forem ímpares você vai se sentar e chorar. São pares, e você resolve contar de novo.

Você pensa que deveria acender a luz, ler um livro, ouvir um disco, mas não é nada disso que você quer fazer. Não quer ouvir dramas fictícios de sofredores que não existem. Eisenstein. Você vê o nome na capa de um livro e pensa que queria chamar-se Eisenstein. Queria chamar-se qualquer coisa que não fosse seu nome, queria viver uma vida que não fosse a sua.

Não. Sua vida não deixa. Como um monstro dantesco devora uma a uma todas as sua esperanças, e arranca a dentadas os pensamentos felizes. Você espera. Talvez quando terminar de ser digerido uma certa resignação confortável tome conta de você, e um sono profundo te faça ir para longe desse lugar denso e escuro. Mas infelizmente você insiste e persiste, e por tempo demais sufoca a voz que te diz para desistir.

Você era a criança que roubava o sutiã das meninas na aula de natação, para depois joga-los na piscina e ficar rindo sozinho. Pulava o muro da construção só para fugir dos porteiros, e mentia para sua mãe dizendo que havia se machucado andando de bicicleta. Essa criança não se contenta com pouco. Não quer sucumbir e entender que nada vai ficar bem. Não aquela criança que ria das moças de sutiã molhado.

De olhos fechados você se sente melhor. Fica pensando se está vendo as costas das pálpebras ou se simplesmente não está vendo nada. Tenta se lembrar das aulas de biologia onde ensinavam coisas sobre os olhos, e se lembra que achou que os poetas e os biólogos falam mais sobre eles do que há neles para se falar. Sua alma não tem janelas, só paredes sufocantes e um vazio que da medo.

Talvez se você ficar assim, de olhos fechados, alguém venha te acordar com um beijo dizendo que vai ficar tudo bem, e que esse cheiro bom que está vindo da cozinha é o café da manhã. Então vocês se sentarão à mesa, comerão frutas e beberão café fresco, e a manhã vai passar rapidamente enquanto vocês conversam sorrindo sobre as mais deliciosas amenidades, e sobre como serão felizes para sempre.

No almoço decidirão o nome do filho que um dia vão ter. Vai ser algo simples, como Pedro ou João. Você vai pensar que nunca tinha reparado que essas paredes brancas são bonitas e calmas. Vão rir do cachorro que sempre se esconde debaixo do sofá, assistir um desenho qualquer na TV e confessar que estão apaixonados um pelo outro.

A tarde, quando as nuvens deixarem o sol se abrir e o calor apertar, vocês irão para a piscina, e a água vai refletir toda a felicidade dos sonhos realizados, e você vai contar sobre aquela vez em que jogou o sutiã das meninas na água, só para vê-las indo embora com a camisa molhada na altura dos peitos, e como nesse mesmo dia você se cortou ao pular o muro de uma construção, e teve que mentir para sua mãe para que ela não descobrisse.

A noite será agradável. Discutirão sobre um livro que está na sua prateleira, ouvindo o seu disco preferido, e decidirão que devem pedir comida pelo telefone. Vão ver o sol que ficou guardado no rosto um do outro, e vão rir mesmo sabendo que isso não tem graça nenhuma. Vão comer e ter sono. Se abraçar e dormir

Mas você abre os olhos, e alguém não virá. Talvez se você tivesse ficado de olhos fechados. Com eles abertos alguém nunca vem. Você está sozinho, já faz tempo que está sozinho, e amanhã vai ser um dia como outro qualquer.

A culpa é dos discos. Eles são pares, e não te dão desculpa para chorar.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Conversa ao telefone.

- Alô?
- Meu filho - voz grave e profunda do outro lado da linha - sou eu!
- Pai? O senhor está rouco?
- Não, sou eu, O Todo Poderoso!
- Erm... Hum... Bom dia, senhor Poderoso (achei que devia trata-lo pelo sobrenome)
- Preciso lhe fazer uma pergunta, meu filho.
- Engraçado, pensei que se o senhor existisse teria todas as respostas.
- Deixa de ser engraçadinho.
- Ok, ok... Pode perguntar.
- O que é que tem na Obra hoje?
- Ih, nem sei... Da uma olhada no site.
- Hum... E qual o endereço?
- Anota aí: é dabliu dabliu dabliu ponto aobra ponto com.
- Certo, certo...
- Mas e aí, como vão as coisas?
- Tudo certo.
- Então ta. Um abraço.
- Bernardo?
- Sim?
- Pra todos os efeitos, caso te perguntem, eu não existo, ok?
- Bom, se você insiste.
- Boa noite.
- Boa noite.

E essa foi uma das dez ligações de longa distância mais bizarras que eu já recebi.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Aleluia

Existem ainda algumas pessoas largadas no canto direito da sua cabeça, mas aos poucos elas também se apagam e vão para aquele lugar que se reserva às coisas em que não se quer pensar.

Aleluia.

As luzes deixam a noite com uma cor estranha, um amarelo pálido e opaco, e aqueles bichinhos que no verão se aglomeram em volta dos postes criam sombras que dançam incessantemente no chão molhado de chuva. Quando se está triste é bom ver que as coisas são tão molhadas quanto os olhos.

Aleluia.

Existe um ponto de onde não se pode voltar. Nunca. Não é um estado de espírito, é uma coisa quase física que obriga o ser humano a continuar tentando, e tanto já se perdeu quando se alcança esse ponto que não faz mais muito sentido parar agora. É o herói que entra no labirinto para salvar a donzela, e mesmo depois da certeza de estar completamente perdido sabe que não adianta voltar, e segue em frente ao encontro de um minotauro qualquer que irá devorá-lo. Não anda de cabeça erguida e peito estufado, segue olhando para baixo e com medo das sombras, pensando a todo instante que deixou para trás qualquer vestígio de esperança.

Aleluia.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

uma lista de listas

Tinha um bom tempo que eu não fazia lista de melhores discos do ano, principalmente porque tinha muito tempo que eu não ouvia suficientes discos lançados há menos de um ano para completar dez que eu gostasse. Mas eu nunca parei de fazer listas. De fato, esse é um vício que eu tenho, há muito, muito tempo. E não me venha com essa de que peguei a mania depois de "Alta Fidelidade" porque eu já fazia esse tipo de coisa pelo menos desde os oito, nove anos.

Lá pra 91, 92, quando começou a passar MTV em Porto Alegre, eu comecei a acompanhar muito o Disk e o Top 20 Brasil... Logo pensei que seria mais legal se eu fizesse minhas próprias paradas de sucesso, já que os dos outros sempre tinham umas porcarias no meio. Lembro de fazer um prístino Top 30 Clipes numa máquina de escrever da minha mãe, basicamente preenchido por Red Hot Chili Peppers, Nirvana e Pearl Jam. Depois isso virou um hábito e eu fui fazendo a coisa sistematicamente. Acho que entre 94 e 97, mais ou menos eu fiz um Top 20 a cada dia (sim, eu tinha muito tempo livre) e depois no fim do mês eu calculava os pontos e via quem foi melhor nos últimos 30 dias. Depois eu fazia isso no ano e formava um Top 200 que eu comparava com o do meu primo que também fazia o mesmo. Isso preenchia cadernos e mais cadernos, que infelizmente eu joguei fora quando fiz uns 15 anos, morrendo de vergonha que aquilo pudesse queimar meu filme. Adolescente é muito idiota mesmo, seria tão legal ter essas coisas até hoje...

Mas bem, eu parei de gostar tanto assim de clipes, mas não de listas, e fui fazendo de outras coisas. Claro que não dá mais pra fazer a coisa diária como antigamente, mas o hábito se mantém ativo. Tenho uma pasta no meu PC chamada "listas" onde há uma relação de todos os livros de literatura que eu já li na minha vida (fora os infantis, que são meio difíceis de contabilizar); há paradas de discos, livros, músicas e quadrinhos favoritos em diferentes épocas; e uns dois anos atrás eu e o Theo resolvemos fazer uma lista com os 10 melhores filmes de cada ano (no meu, é só a partir de 1956 que juntam 10 ou mais a cada ano, mas eu estou trabalhando pra mudar isso). Fora os regulamentares bancos de dados com meus livros, xeroxes, CDs, vinis, DivXs, que são menos pra divertir e mais pra organizar minhas coleções. E as malditas listas do tipo "tenho que...": filmes que tenho que ver, livros que tenho que ler... Essas que sempre aumentam, aumentam, listas infinitas, que me dão um pouco de angústia, um sentimento de que estou sempre um passo atrás do que deveria estar... Mas dão muito prazer quando apago uma linha, após baixar mais uma pérola no KG ou achar uma raridade num sebo.

Como amostra, segue minha lista de filmes de 1979, um bom ano:

1 – "Apocalypse Now", Francis Ford Coppola, EUA

2 – "L'Hypothèse du Tableau Volé (A Hipótese do Quadro Roubado)", Raoul Ruiz, Fra

3 – "Die Dritte Generation (A Terceira Geração)", R. W. Fassbinder, Ale

4 - "Die Blechtrommel (O Tambor)", Volker Schlöndorff, Ale

5 – "Stalker", Andrei Tarkovsky, Rus

6 – "Alien", Riddley Scott, EUA

7 – "Fukushû suruwa wareniari (Minha Vingança)", Shohei Imamura, Jap

8 – "Life of Brian (A Vida de Brian)", Terry Jones, UK

9 – "Zombi 2", Lucio Fulci, Ita

10 – "Manhattan", Woody Allen, EUA

Hors-concours:

"Warriors", Walter Hill, EUA

sábado, 12 de janeiro de 2008

Melhores de 2007

Esse negócio de fazer lista é muito viciante. Cada novo disco que escutava me levava para uns outros 5 e assim por diante. Poderia ficar o ano inteiro ouvindo discos de 2007 possivelmente bons e isso seria um saco, já que a esmagadora maioria não corresponderia a essa expectativa. Então fiz um recorte razoável de uns 70 discos para ouvir (alguns só até a metade, é vero) pra que assim eu pudesse voltar a viver algum dia. Não ouvi nada ou quase nada de Rap (só os mais clichês), jazz, pop descarado, folk, indie-pop e fofuras em geral. Não quer dizer que não ouvi e não gostei: só não ouvi e ponto. Ouvi atentamente esses lances supermodernos de dubstep e techno minimal mas, apesar de perceber que há até uma galerinha criativa nesses lances, eu não consigo ouvir um disco inteiro. E eu sei que aqui ninguém liga pra isso.

Como me senti meio imbecil fazendo uma lista destas, adotei o estilo engraçadinho-pop-superficial-por-demais-assertivo das críticas musicais ruins. Não estou muito afim de pensar, desculpem. E nesse sentido também não coloquei uma ordem nos dez melhores. Acreditem que eu achei estes dez igualmente legais.

Não fiz oficina de blog então não sei colocar as capinhas, foi mal aí.

Hors Concours

Miles Davis - The Complete On The Corner Sessions

Se você nunca ouviu este disco, então baixe e ouça agora a versão simples. Acho que o produtor escolheu as melhores músicas e melhores takes. Mas agora que você ouviu e foi abençoado, irá concordar comigo: não há nada com mais groove, ginga, molejo e malevoLência na história da música ocidental do que On The Corner. Então será necessário ouvir essa caixa de 6 CDs com as gravações do disco pra sentir o DRAMA em toda a sua completude. Sim, são quase 7 horas de música. Mas nada é menos que muito foda, eu garanto demais. Os melhores músicos da época fumando muita droga pra fazer música pra fumar droga pra fazer música e no meio disso aí saindo uma espécie de funk-jazz que não é bem só isso. E se o fusion matou o jazz então ele morreu feliz só por causa desse disco.

Harmonia - Live 1974

Formado por integrantes do Neu! e do Cluster, o Harmonia foi uma pouco conhecida superbanda vaca-preta (unia o melhor das duas bandas anteriores sem porém superá-las). Este show de 74, só lançado em disco este ano, pode ser considerado como o terceiro grande disco da banda kraut. Recomendado para maconheiros alemães da década de 70 ou para quem já cansou de ouvir os dois primeiros discos e sentiu um gostinho de quero mais.

Os Outros 8

Acid Mothers Temple & the Melting Paraiso U.F.O. - Crystal Rainbow Pyramid Under the Stars
Piração hippie da melhor qualidade. Esta moçadinha esperta tem feito o que há de mais interessante em termos de rock paulera nesses anos 00 e tem pouca gente sabendo. Então ta avisado aí.

Christian Fennesz/Ryiichi Sakamoto – Cendre
O pior disco do Fennesz é melhor que quase tudo lançado esse ano.

Electrelane - No Shouts, No Calls
O Guilty Pleasure da lista. Um disco um tanto desigual, com experimentações bacaninhas, clichês indies e todo aquele jeitinho Stereolab de ser.

The Focus Group - We are all Pan's People
Colagem sonora cubista que te leva para aquele período da manhã em que você acha que está sonhando mas não se importa muito com isso - só quer voltar a dormir.

Grinderman – Grinderman
Pra quem como eu gosta mais da fase Birthday Party do Nick Cave esse disco é o melhor dele. E quem não acha isso deveria achar porque está errado. E se mesmo assim quiser insistir no erro por livre e espontânea vontade, então deve concordar ao menos que é uma das melhores coisas que ele faz em muito tempo, parecendo ou não com o Birthday Party.

LCD Soundsystem - Sound of Silver
Na primeira vez que ouvi não gostei muito e o show não me ajudou a gostar mais. Mas na reouvida esse Sound of Silver bateu legal. O LCD veio pra ficar, falem o que quiser.

Lichens – Omns
Climão bom esse Lichens. Muita gente indo na onda do drone/ambient, mas poucos conseguindo fazer direito sem ser chato, tipo isso aqui.

OM – Pilgrimage
O pior disco do OM é melhor que quase tudo lançado esse ano.

Robert Wyatt – Comicopera
O bom velhinho não tem errado nos últimos anos e com Brian Eno, Phil Manzanera e outros menos cotados como banda de apoio não tinha como sair do script. Comicopera é disco de velho com muito bom gosto e um pouquinho de mudernidade, mas não é tipo MPB não, fiquem tranqüilos. E se você se emocionou e super se identificou com as letras de Wyatt sobre a Guerra das Malvinas, o assassinato das baleias e a queda da bolsa de Tóquio, então vai curtir demais as músicas quase-políticas desse disco aqui. A voz do homem está triste como sempre e dá pra perceber que ele ta falando sério, né brincadeira não. Agora, achei um pouquinho longo demais o disco, e aquela musiquinha em homenagem ao Che Guevara que fecha o disco é palha demais, estamos combinados.


Não achei uns 5 discos que pareciam promissores. Fica pro ano que vem. Gostei também de outros, mas acho que não voltarei a ouvi-los ano que vem. Ou neste ano mesmo... São estes:

Aesop Rock - None Shall Pass
Boris/Michio Kurihara - Rainbow
Dinosaur Jr –Beyond
Kemialliset Ystavat – Alkuharka
Laub – Deinetwegen
Lou Reed/Zeitkratzer - Metal Machine Music Live
Mouthus - Saw a Halo
Panda Bear - Person Pitch
Yellow Swans - At All Ends

Mais uma do homem



É, Poeira... Eu sempre soube que teu problema era puta e pó..

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Música para a cabeça.


Recentemente descobri que uma banda que eu gosto muito, o Chicago Underground Trio, é muito pouco conhecida aqui no Brasil.

Começou em 1998, e então se chamava Chicago Undergrond Orchestra. Rob Mazurek, Jeff Parker, Chris Lopes, Sarah Smith e Chad Taylor faziam parte da banda. Não durou muito, e algum tempo depois dois dos ex-integrantes da "orquestra", Chad Taylor e Rob Mazurek montaram, ainda em 1998, o Chicago Underground Duo. Foi só em 1999, com a entrada de um rapaz chamado Noel Kuppersmith, que a banda de fato se transformou em um trio e adotou o nome atual.

Acho que é muito pouco pra definir o som da banda dizer que eles fazem um jazz conteporâneo e experimental. "Avant Garde Jazz Band", como costumo ler por aí não é nem de perto o bastante pra descrever o que os caras fazem.

Os fundadores e "band leaders", apesar de muito novos, tem um curriculo bem vasto e respeitável, em especial o baterista / percussionista Chad Taylor. Além de ter começado a tocar em clubes de Chicago com 15 anos de idade, ele já tocou ao lado de grandes figuras como Leon Parker e Mark Turner, e fez parte da banda Tortoise.

Na minha opinião a melhor característica do trio é a facilidade com que vão e voltam em sessões de improviso. Chega a ser difícil saber quando é que eles estão tocando pedaços previamente escritos de uma música e quando começam a improvisar.

Também vale ressaltar que nunca ouvi post-rock, jazz e música eletrônica misturados com tanta maestria.

Os discos lançados pela banda são: Possible Cube, de 1999, Flamethrower, de 2000, o Sion de 2004 e o ultimo, de 2007, Chronicle.

Sion foi o disco que me chamou atenção para a banda. Tem um conteudo político muito forte, coisa rara de se ver em bandas de Jazz. O disco é "dedicado" a todos que morreram "nas mãos das guerras imperialistas americanas".



Chronicle, o ultimo disco, é a obra prima dos caras. O disco é maravilhoso do começo ao fim. Foi provavelmente a coisa que mais escutei em 2007, e sinceramente acho que por um bom tempo vai ser top na minha lista de discos de jazz.



Então é isso. Baixem o disco, ouçam a banda. E aviso de antemão que é uma banda a se escutar com a cabeça. Não deve ser difícil demais de achar na internet, mas caso não encontrem, eu tenho os originais, e posso coloca-los na net eu mesmo. É só me pedir.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

isso não é uma lista

eu não faço listas. eu não gosto de listas. os discos dessa coisa aqui que não é uma lista de melhores coisa alguma são só uns discos que eu acho que mereciam entrar em listas alheias dos melhores discos mas não entraram. mas assim, what do i know.

1. scout niblett - this fool can die now



porque a scout niblett é o meu kurt cobain.

2. rhonda harris - tell the world we tried



disco de covers do townes van zandt. avisa o mundo que vocês conseguiram.

3. nina nastasia & jim white - you follow me



vai tocar bateria assim na minha casa, vai?

4. emily jane white - dark undercoat



he said lady where's your dark undercoat? then he rode away and he rode away and he died. said i am not strong, i am not wide and i am not long. creepy folk.

5. islaja - ulual yyy



porque a finlândia é muito mais legal que a suécia.

6. raccoo-oo-oon - behold secret kingdom



hippie caótico.

7. mirah and the spectratone international - share this place: stories and observations



my mother made for me this pair, a perfect womb, a modeled lair, where i will grow and eat my share of pastry rich beyond compare! mirah cantando do ponto de vista de insetos. ok.


8. akron/family - love is simple



akron/family = amor. e o amor é simples.

9.bowerbirds - hymns for a dark horse



depois do drink do verão, eu descobri o disco do verão.

10. no age - weirdo rippers



esse aqui é só porque eu sou jovem!

obs 1. eu não subi nenhum desses discos eu peguei links em blogs alheios e nem sei direito quais foram, todo caso, brigada pessoas que sobem discos! vocês são ótimas. que marc jacobs sempre acompanhe vocês.
obs 2. o ep que eu achei mais incrível foi o do black kids! porque eu sou MUITO jovem!

OS 10 MELHORES DISCOS DE 2007

Os 10 Melhores Filmes de 2007

E agora, com vocês, os 10 melhores filmes de 2007:

1. Persepolis
2. Grindhouse
3. Zodiac
4. O Último Rei da Escócia
5. The Simpsons Movie

Mençãos honrosas do troféu "Não vi e não gostei": "O Ultimato Bourne", aquele com músicas dos Beatles, Ocean's 13, Harry Potter *.*, Quarteto Fantástico 2, High School Musical 2, aquele da Pixar com o ratinho cozinheiro, Transformers, Norbit, Piratas do Caribe 3, Resident Evil 3, Saw 4, Homem-Aranha 3, Shrek 3, Duro de Matar 4, Taxi 4 - qualquer filme com um número acima de 2 é sempre uma merda.

Ainda não vi mas tou a fim de ver: aqueles dois do Clint Eastwood sobre a II Guerra, "A Rainha" do Stephen Frears, aquele do Michael Moore sobre o sistema de saúde dos EUA, o da Edith Piaf, e aquele sobre o Bob Dylan. Ah, e aquele do carro que come as pessoas, e o da menina com dentes na periquita.

E no Brasil? Bom, teve um tal de Tropa de Elite, que eu não vi, e nem pretendo ver, e vários outros que pareciam interessantes, mas que eu só vou conseguir ver quando eu pegar por acidente no Canal Brasil. Os produtores brasileiros ainda são muito limitados, e ainda acham que cinema só dá dinheiro nas salas de exibição. Se tivesse XviD dos filmes todos rolando na internet, todo mundo ia poder ver os filmes e saber mais sobre eles. Foi isso que aconteceu com o Tropa de Elite: foram os camelôs que popularizaram o filme, não as salas. Eu não conheço ninguém que viu esse filme no Cinemark - todo mundo comprou na rua, ou então baixou em AVI, antes mesmo do filme sair nas salas. Deu muito certo.

E 2008 vem chegando com várias promessas de ótimos filmes... Transformers 2, Ace Ventura 3, Exterminador do Futuro 4... não percam!!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Meu Top 10

Ouvi menos de 20 discos lançados ano passado, então não dá pra considerar isso um "melhores do ano", são simplesmente os discos de 2007 que mais gostei.

10) Explosions in the Sky, All of a Sudden I Misse Everyone
Tinha anos que eu não ouvia um disco de postrock que me desse vontade de ouvir de novo. Não trata-se de nenhuma obra-prima, mas é competente e climático.

9) Liars, Liars
Ouvi ontem pela primeira vez. Mais pop do que eu esperava deles, mas tem umas pérolas.

8) Gogol Bordello, Super Taranta
Punk cigano. Só falando isso já dá pra entender que o Gogol Bordello é uma banda divertida a valer. As letras são engraçadas e as músicas são empolgantes. Você fica imaginando os caras do Snatch ou algo assim. Recomendo principalmente "American Wedding".

7) Queens of the Stone Age, Era Vulgaris
O QOTSA consegue um feito que nenhuma outra banda consegue desde os anos 80: manter um padrão de qualidade altíssimo lançando discos regularmente, sem inovar demais mas também sem soar repetitivo. É a banda que eu mais gostaria de ver ao vivo atualmente. Sick Sick Sick e 3s & 7s já são hits.

6) Feist, The Reminder
Fesit é aquela coisa fofinha, fácil de gostar, quase inofensiva. Ela faz umas músicas grudentas, bem afinadas, com arranjos bacanas, coisa e tal. Dá pra ouvir tomando banho, lavando a louça. Antena 1 indie.

5) Radiohead, In Rainbows
Valeria só por "Nude" e é melhor que o Hail to the Thief.

4) Sunset Rubdown, Random Spirit Lover
Essa foi uma das bandas que marcou meu ano. É verdade que eu ouvi muito mais os dois discos anteriores, Snake's Got a Leg e Shut Up I Am Dreaming, mas esse último não deve muito aos demais não. Principalmente porque mantém a característica principal da banda, que é o tom épico, grandioso, quase monumental. Daqueles que dá vontade de cantar a altos brados e balançando o punho fechado no ar.

3) Arcade Fire, Neon Bible
Como QOTSA, Radiohead, Sunset Rubdown e Wilco, este disco fica um pouco na sombra do anterior deles. O problema é que o Funeral tocou tanto que quando esse Neon Bible foi lançado tava todo mundo meio de ressaca de Arcade Fire. Mas as quatro últimas músicas são simplesmente encantadoras.

2) Battles, Mirrored
Pra mim a revelação do ano. Original em todos os sentidos, foge de rotulações simples (acho que nem "Math Rock" é suficiente para explicar o que eles fazem). Além disso, todos os caras são ótimos instrumentistas, e fizeram um dos shows mais impressionantes que eu já vi na minha vida. De cair o queixo mesmo.

1) Wilco, Sky Blue Sky
Na minha opinião, a melhor banda dos anos 2000, junto com o QOTSA (sim, eu sei que eles começaram bem antes, mas os principais discos deles foram lançados nessa década). Esse disco não teve o impacto que o Yankee Hotel Foxtrot e o A Ghost is Born tiveram, mas ainda assim acho que enfrenta esses outros dois em pé de igualdade. Ousa um pouco menos no experimentalismo, verdade, mas é bem redondinho, super bem produzido, e tem melodias impecáveis.

Decepções do ano: Drums and Guns, Low; Zeitgeist, Smashing Pumpkins; Year Zero, Nine Inch Nails. Essas bandas são capazes de mais.

Menção honrosa: Black Lips, Good Bad no Evil

domingo, 6 de janeiro de 2008

Top 10 Nacional e Internacional de 2007

Como disse o Bernardo, 2007 foi bom ano para a música. Ótimo discos foram lançados e os que eu mais ouvi, ou seja, os melhores, são os seguintes:

Internacional:

1) Animal Collective - Strawberry Jam
2) Panda Bear - Person Pitch
3) Of Montreal - Hissing Fauna, Are You The Destroyer?
4) Jens Lekman - Night Falls Over Kortedala
5) Beirut - The Flying Club Cup
6) The Orchids - Good To Be A Stranger
7) Spoon - Ga Ga Ga
8) The National - Boxer
9) Andrew Bird - Armchain Apocrypha
10) The Clientele - God Save The Clientele

Nacional:

1) Hurtmold - Hurtmold
2) Bonifrate - Os Anões da Vila do Magma
3) Charme Chulo - Charme Chulo
4) Satanic Samba Trio - Sangrou
5) Autoramas - Teletransporte
6) Kassin + 2 - Futurismo
7) Blanched - Avalanched
8) Club Silêncio - Laissez-faire
9) Gui Boratto - Chromophobia
10) Wandula - La Récréation

sábado, 5 de janeiro de 2008

10 Melhores discos do ano.

Ano acabando, essa coisa toda, e chega a hora de fazer as listas do ano passado. A primeira, como era de se esperar, é a dos melhores discos de 2007. A minha lista ficou bem indie, mais do que eu queria. Mas fazer o que, se 2007 foi um ano bom para o indie rock? Acho que as bandas amadureceram um pouco, e depois de passado aquele deslumbre inicial ficaram mais exigentes e lançaram discos mais bem pensados e melhor trabalhados.

Bom, vamos lá. Minha lista é as follows:

1) Animal Collective - Strawberry Jam
2) Wilco - Sky Blue Sky
3) Panda Bear - Person Pitch
4) Battles - Mirrored
5) Radiohead - In Rainbows
6) Dinossaur Jr - Beyond
7) Grinderman - The Grinderman
8) LCD Soundsystem - Sound Of Silver
9) Liars - Liars
10) Okkervil Rivers - The stage Names

Ganham ainda menções honrosas as bandas:

Chicago Underground Trio, Tera Melos, Beirut, Deerhoof, The national, Modest Mouse e Minus the bear, que lançaram discos muito bons.