O Corona sempre foi um blog preocupado com as questões socais da conteporaneidade.
Muito se diz sobre o assunto. Lemos para todos os lados que o preconceito não é mais o mesmo de antigamente e que as pessoas estão cada vez mais esclarecidas. Se esse esclarecimento que alardeam por aí for o mesmo dos "déspostas esclarecidos", eu até concordo.
O grande problema é que nos pequenos núcleos familiares, nas salas de aula, nos locais de trabalho e até mesmo nas ruas o preconceito é mais dificil de ser combatido.
Entrevistamos recentemente um jóvem adulto, que não quis se identificar:
Corona: Após se assumir, qual você considera o pior tipo de preconceito que sofreu?
Anônimo: O familiar, por que é um preconceito velado. Meus pais não admitem, mas ainda não me aceitam como sou.
C: E como foi o processo , digo, o processo de assumir?
A: Não foi fácil. Existem lojas especializadas, roupas, filmes, revistas, bares e boates para gente como nós, mas ainda não é fácil se assumir como canhoto. Olha essa frase minha, "gente como nós", acho que até mesmo os canhotos se enxergam como pessoas diferentes.
C: Mas você não acredita que, de fato, sejam diferentes?
A: Claro que não. Canhotos tem os mesmos anseios e desejos que as pessoas comuns. E pra falar a verdade, muitas pessoas que você conhece são canhotas, e você nunca vai ficar sabendo (risos). O filho do vizinho, seu chefe e até mesmo a sua filha pode ser canhota!
C: Minha filha tem só 13 anos de idade.
A: Foi só um exemplo.
C: Minha filha não é canhota. Do filho do vizinho eu sempre desconfiei. Mas minha filha não
A: Foi só um exemplo, já disse. Eu não conheço sua filha
Muito se diz sobre o assunto. Lemos para todos os lados que o preconceito não é mais o mesmo de antigamente e que as pessoas estão cada vez mais esclarecidas. Se esse esclarecimento que alardeam por aí for o mesmo dos "déspostas esclarecidos", eu até concordo.
O grande problema é que nos pequenos núcleos familiares, nas salas de aula, nos locais de trabalho e até mesmo nas ruas o preconceito é mais dificil de ser combatido.
Entrevistamos recentemente um jóvem adulto, que não quis se identificar:
Corona: Após se assumir, qual você considera o pior tipo de preconceito que sofreu?
Anônimo: O familiar, por que é um preconceito velado. Meus pais não admitem, mas ainda não me aceitam como sou.
C: E como foi o processo , digo, o processo de assumir?
A: Não foi fácil. Existem lojas especializadas, roupas, filmes, revistas, bares e boates para gente como nós, mas ainda não é fácil se assumir como canhoto. Olha essa frase minha, "gente como nós", acho que até mesmo os canhotos se enxergam como pessoas diferentes.
C: Mas você não acredita que, de fato, sejam diferentes?
A: Claro que não. Canhotos tem os mesmos anseios e desejos que as pessoas comuns. E pra falar a verdade, muitas pessoas que você conhece são canhotas, e você nunca vai ficar sabendo (risos). O filho do vizinho, seu chefe e até mesmo a sua filha pode ser canhota!
C: Minha filha tem só 13 anos de idade.
A: Foi só um exemplo.
C: Minha filha não é canhota. Do filho do vizinho eu sempre desconfiei. Mas minha filha não
A: Foi só um exemplo, já disse. Eu não conheço sua filha
"Só que chega uma hora que não dá mais! Você precisa se assumir. Hoje sou muito mais feliz por causa disso."
C: E quando é que você descobriu que era canhoto?
A: Acho que eu sempre soube, mas tentava esconder. Você não imagina o que é para um adolescente. As pessoas te olham esquisito, acho que no fundo elas também sabem que você é canhoto. Só que chega uma hora que não dá mais! Você precisa se assumir. Hoje sou muito mais feliz por causa disso.
C: Você disse que o pior é com os seus pais. Como é que foi, para eles, receber a notícia?
A: Não parece ter sido fácil. Na hora meu pai surtou, gritou alguma coisa do tipo "filho meu não! Filho nenhum meu vai ser canhoto!". Depois ele ficou mais calmo, e veio com aquele papinho de que ele só não quer que eu sofra, que pensa no meu bem, que trabalhou a vida inteira pra que os filhos pudessem ter tudo e blah blah blah. Mas todo mundo sabe que ele morre de vergonha de ter um filho canhoto. Outro dia ele recebeu em casa um casal amigo, o João e o Manuel, amigos da familha por muito tempo. Ele não resistiu, logo antes deles entrarem ele disse: "Vê se não me escreve nada com a mão esquerda enquanto eles estiverem aqui eim? São muito conservadores e podem ficar chocados." Mas eu sei que o conservador é ele.
C: E a sua mãe?
A: Com a minha mãe foi mais fácil. Ela é muito religiosa, muito conservadora, mas desde que conheceu a namorada nova, a Carla, ela anda mais tranquila. Acho que é influência da Carla, que é mais moderninha e aceita os canhotos numa boa. Ela fica com um pouco de medo quando eu saio de noite. (risos). As pessoas acham que os bares de canhoto são uma coisa do outro mundo, como se todo mundo fosse ficar usando a mão esquerda o tempo todo! (mais risos). Não é assim não, são lugares completamente normais, a diferença é que a gente não precisa ficar com medo de fumar com a mão errada.
C: Onde você estuda?
A: Acabei de me formar no Santo Antonio
C: Hum... É o colégio da minha filha.
C: Já disse, eu não conheço sua filha...
"eu acho que a vida que você leva e as coisas que acontecem com você são muito mais importantes. Não acho que ninguém nasce canhoto."
C: Uma pergunta um pouco mais polêmica agora. Você acha que as pessoas nascem canhotas?
A: Olha, eu sinceramente não sei. Talvez o pessoal do projeto genoma saiba responder isso. Outro dia eu li que existem até animais canhotos! (risos)
C: Será que tem algum canhoto no meio do pessoal do projeto genoma?
A: (mais risos) Não sei. Não, tô brincando, eu acho que a vida que você leva e as coisas que acontecem com você são muito mais importantes. Não acho que ninguém nasce canhoto.
C: Por que é então que você falou da minha filha? Ela só tem treze anos, e você diz que nem a conhece...
A: Olha, desaculpa, foi só um exemplo.
"O importante é ser feliz não é?"
C: Mas e agora? Você acha que pode ser uma pessoa feliz e conviver bem com o fato de ser canhoto?
A: Claro. O importante é ser feliz não é? Do jeito que você for. Eu não escondo mais de ninguém, mas também não saio por aí usando relógio na mão direita. Sou uma pessoa feliz.
C: Muito obrigado por essa entrevisa. Acho que as pessoas precisam mesmo falar mais abertamente sobre esse assunto. Vai se publicado em breve, e você pode ver no blog.
A: Por nada, foi um prazer. Abraço pro pessoal do Corona. (se despede e vai embora. senta-se na mesa do lado com uma menina que toma café com a mão esquerda). Uma lorinha muito parecida com a minha filha.
"Sim, vou daqui a pouquinho. Beijo."
C: Alô? Filha, aqui é o papai! Tudo joia? Ta estudando na casa de uma amiga? Sei... E deixa eu te perguntar uma coisa: você conhece um tal de Anônimo? Não? A, por nada não... E aqui, essa sua amiga escreve com que mão eim? Ah, nada não... Sim, vou daqui a pouquinho. Beijo!
Dando os devidos créditos: Essa entrevista nasceu de uma conversa de bar na qual estavam presentes, além de mim, o professor Daniel Poeira, membro do staff desse blog, e uma terceira amiga que prefere continuar não identificada, pois é canhota e teme ser vítima do preconceito. Vamos chama-la, carinhosamente, de "Gabi".
