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quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Dia Sem Compras


Eu sei que isso é "muito 2001" mas eu ainda acho a idéia muito boa. Dessa vez não vou segurar cartaz em porta de shopping, mas o legal do BND é que dá pra "participar simplesmente por não participar". Cai no sábado, então eu recomendo comprar bastante cerveja na sexta até meia-noite.

Página Oficial / AdBusters

terça-feira, 31 de julho de 2007

Trabalho Mata

"O trabalho liberta"

Ainda não consegui decidir se odeio ou adoro trabalhar, mas com certeza não consigo ser indiferente. Minha precária administração do tempo, que frequentemente resulta fins de semana e e noites varados pra cumprir prazos, não me permite ter um relacionamento normal com o trabalho e assim ele se torna onipresente.

Duas coisas são deliciosas quando se trata de trabalhar: ver terminada alguma coisa da qual você se orgulha e ter reconhecimento pelo que se fez (o que obviamente inclui o dinheiro). O resto, especialmente a rotina, é um pé no saco.

Mas particularmente acho que a definição atual de trabalho é muito restrita. Quem faz alguma atividade sem patrão e/ou remuneração geralmente se define como "artista" - é sempre bom usar o charme da pobreza boêmia - ou "ativista" - melhor nem comentar. Pelo menos pra mim, esse esquema de fazer trampinho ou organizar protesto é uma forma de trabalho sim - entre outras atividades possíveis dentro das duas categorias descritas acima, só que talvez menos destrutivo e alienante que a maneira "tradicional" de trabalhar. Claro, se você for um comuna da UNE do Partidão ou similares, vai estar tão alienado quanto uma criancinha que monta tênis Nike na Indonésia.

Na verdade o engraçado é que o capitalismo se alia com a democracia e produz uma idéia de que é totalmente laico em sua ética e valores, pelo menos é o que os teóricos da economia neoclássica adoram defender, apesar do Weber. Mas não é. Ganhar o pão com o suor do teu rosto é a máxima cristã. Claro, talvez esse versículo só quisesse dizer que nada vem sem esforço, mas a noção reproduzida por ele foi outra: o trabalho dignifica o homem, frase construída pra justificar a servidão medieval que até hoje é entendida como verdade absoluta. Mas hoje ao invés de apenas comer o pão, devemos tomar o vinho californiano junto e comprar o carro alemão - e se forem frutos do seu trabalho eles provam que você é digno de verdade. De resto, você é um fracassado.

O trabalho liberta é o que estava escrito nos portões de Auschwitz. Talvez naquela época os cartões de crédito, compras online e horas extra e metas ainda não tivessem sido inventados. Num mundo onde, apesar do conforto absurdo, se trabalha cada vez mais pra consumir e o lixo é produzido em toneladas por pessoa/ano talvez o digno seja não trabalhar - especialmente quando já foram diagnosticadas mortes por excesso de trabalho. Por enquanto vamos seguindo, sempre rumo ao sucesso, vivendo dentro de uma propaganda de banco. Os juros só vão ser cobrados daqui a muitos anos.